06.21.10
Posted in analógica at 20:38 by alf
Nada como variar os hábitos, ter que voltar para Lisboa sozinho de uma forma complicada e demorada.
Começa com uma curta viagem de automotora, que já vinha de Beja e que rapidamente se põe nas Alcáçovas. Dali sairá uma camioneta para o Pinhal Novo, que entretanto ainda não tinha chegado de Évora.
Saído da automotora vejo um café, que já conhecia de vista, mas onde nunca tinha entrado. Todas as estações têm um café, o “Café boa viagem” ou o “Café da Estação”, onde se toma o café ou se come uma sandocha antes de chegar o comboio.
Quando me aproximo, penso perceber que estava encerrado: as portas estão fechadas.
Mas o barulho de conversa no interior, levou-me a experimentar abrir as portas, acertando logo na primeira.
Pensei que seria devido ao ar condicionado que a porta estava fechada. Mas não, o ambiente era abafado.
Ao balcão duas mulheres, ambas com umas mamas descomunais. Pedi uma cerveja e pus um euro no balcão.
Diz-me a mamalhuda mais nova, depois de me pôr a cerveja à frente, após olhar a minha moeda:
- São dois euros
Fico surpreendido.
- Isto é preço de Domingo??!
perguntei eu, agora incomodado com o preço da cerveja; por aquelas bandas pagam-se 65 ou 70 cêntimos por uma cerveja. Ela ignorou a minha questão, pegou nos dois euros que entretanto pus no balcão e virou as costas para continuar a conversa com três gajos que já estavam ao balcão quando entrei.
Bebi a cerveja e saí, já a pensar que aqueles gajos, ou gajas, eram uns oportunistas do caraças, como era o único café do lugar, a vila fica a mais de 5 quilómetros, esticavam-se nos preços.
Cá fora, o motorista, o revisor e outras pessoas acolhem-me na conversa, e aproveito para comentar o preço exagerado da cerveja.
Dizem-me que aquele café não é bem um café, que é mais uma casa onde servem sobremesas… e que a patroa é a melhor de todas!
(Esquisito um café de estação ser uma casa deste tipo. Com a bica a 1 euro e a cerveja a 2, não serão certamente os viajantes que lá irão. Verdade seja dita também não devem passar mais que 2 ou 3 pessoas por dia para apanhar a automotora)
A camioneta da Rodoviária do Alentejo já está parada, aguardando a hora da partida. Lá dentro uma senhora idosa sentada, cujo filho e neto sobem e descem da camioneta incessantemente em despedidas e lembranças de ultima hora.
O neto, um rapazito dos seus 8 anos, bolachudo e de cabelo loiro encaracolado, exclama para o pai, olhando fascinado para o tablier da camioneta:
- Ena! tantos botões …
Ao que o pai acrescenta:
- E toma atenção: cada botão faz a sua coisa!
(Adorei, não me lembrava de como as coisas são simples)
Mais despedidas, de quem fica, como se este dia fosse um de muitos em comum.
Começa a viagem. Não sem o motorista entretanto gracejar pedindo à meia dúzia de viajantes para não estragarem o carro que era “o melhor que a companhia tem”, uma MAN de 1990.
Assim que começa a fazer inversão de marcha, um gajo qualquer atrás dá umas buzinadelas. Está fora do alcance da camioneta. O motorista, do qual uma hora a seguir a este momento já pareceremos amigos de longa data, desabafa com um “aquele deve de estar com falta de ar”, com um forte sotaque alentejano.
Seguiu-se uma viagem agradável, com a planicie alentejana a ladear-nos. Algumas vistas inéditas para mim, como aquelas já pelas bandas de Fernando Pó e as suas imensas vinhas da casa Ermelinda. Isto acompanhado de mais de duas horas de conversa animada.
As habituais perdizes, cobras e outros bichos surpreendidos com a camioneta naquelas estradas de pouco trânsito.
Muitas buzinadelas e muitos acenos onde há pessoas na rua.
Onde parávamos falava-se com as gentes locais que tinham sempre qualquer graça para contar, naqueles curtos 5 minutos de pausa.
No fim mais umas despedidas familiares.
Em Pinhal Novo apanho um comboio da Fertagus. Atrasa-se, não percebo o que se passou, em Campolide andavam policias de pistola na mão a correr de um lado para o outro e o comboio parado.
Chegado a Lisboa, Entrecampos, passava das 10 da noite, fazia vento e frio. O relógio do mupi, diz que são 13:04.
A previsão dos minutos para o próximo autocarro está avariada ou desligada. O anúncio da paragem, publicidade da HP, diz que o Computador pessoal voltou a ser pessoal. Que me interessa isso?
Passam quase 20 minutos e opto por apanhar um táxi para o Rato.
No táxi dei por mim a pensar no quanto gostei daquela viagem demorada
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05.30.10
Posted in analógica at 23:40 by alf
Atendendo aos valores dos prémios de gestão que se atribuem hoje em dia aos gestores de grandes empresas, que valor terão esses prémios numa situação em que esses mesmos gestores façam uma gestão que exceda as expectativas?
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09.26.09
Posted in analógica at 14:21 by alf

O país anda a velocidades diferentes e com motivações diferentes; neste caso a noticia da disponibilização do Wifi, em 2009 numa vila do interior. E em vez de executivos de gravata e sorriso rasgado na cara, crianças sentadas na calçada com os seus portáteis ao colo.
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07.23.09
Posted in analógica at 21:49 by alf
Em 1982. Gelados “Olá”, toldo “Sumol” e cabines telefónicas de alumínio.
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07.18.09
Posted in analógica at 13:14 by alf
“Decidi candidatar-me para fazer qualquer coisa por Barrancos, onde morei muitos anos“
Assim justifica uma cidadã a sua candidatura a uma Camara Municipal.
Pena as próximas eleições autárquicas estarem muito próximas, porque me parece atraente a gestão de um municipio. Porquê? Se me perguntarem porque me candidato direi, com confiança:
“Decidi candidatar-me ao Alvito porque curto a terra, estão a ver? e as gentes de lá, são boas. E já lá comi várias vezes, tem restaurantes excelentes”
Parece-me uma justificação credivel.
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06.06.09
Posted in analógica at 13:38 by alf
- Como é que está o tema das contratações?
Hoje em dia já não há assuntos. O “assunto” foi claramente despromovido para conversas sem importância, conversas de rua, de cabeleireiro.
Referir um tema é algo mais sofisticado que referir um assunto; algo mais abrangente e de implicita e terrivel complexidade.
Usa-se muito em ambientes empresariais e políticos.
- Eu diria que esse problema não estará resolvido tão cedo.
O “eu diria que … “ substitui expressões do tipo “acho que …” ou “parece-me que …” ou mesmo a omissão de qualquer uma destas expressões que antecedem o que desejamos dizer.
Esta expressão, com recurso à utilização do modo condicional do verbo, deixa-me mais baralhado: porque é que hoje não se diz nada, uma vez que só se diria?
Pelo facto de se utilizar o modo condicional considera-se que a acção depende de uma condição. Faz todo o sentido afirmar “Se Salazar fosse vivo, diria que este socialismo não presta”. Mas não, as pessoas estão vivas e continuam com um qualquer receio de afirmar, preferem dizer que diriam.
A não ser que estejam a falar sobre ameaça: “Se não tivesse esta arma apontada à cabeça, diria que esse problema não estará resolvido tão cedo“.
Diria que este tema das expressões em voga é giro, que é como quem diz que este assunto das expressões em voga é giro.
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04.12.09
Posted in digital at 18:55 by alf
O primeiro bot descrito , que poderemos designar por sentinela, envia naquele exemplo mensagens para um utilizador humano, avisando-o por exemplo de uma actividade excessiva no serviço de ftp.
O segundo tipo de bot descrito, que podemos designar de agente de serviços, efectua acções em consequência do pedido de um utilizador humano ou de um sentinela.
Podemos agora integrar estes dois tipos de bot de acordo com a seguinte lógica:
- um sentinela é responsável pela entrega da notificação de um qualquer evento. Essa mensagem é entregue a um agente de serviços que deverá saber como lidar com essa mensagem.
- o agente de serviços receberá essa mensagem e será responsável pela divulgação do seu conteúdo a diversas entidades recorrendo aos meios disponíveis.
sendo que a única preocupação do sentinela é assegurar o envio da mensagem; a preocupação de saber o que fazer, a quem divulgar a mensagem, e de que modo, cabe ao agente de serviços.
Assim, num qualquer site empresarial, o sentinela, atento aos eventos que decorrem naquele servidor http, deverá enviar a mensagem de que um cliente da empresa foi à página de contactos solicitando o contacto do gestor de conta.
É da responsabilidade do agente de serviços saber que deve enviar um email ao gestor daquele cliente bem como uma mensagem para o seu telemóvel.
O agente de serviços poderá receber mensagens de sentinelas distintos em máquinas distintas; centraliza-se assim a prestação de um serviço num agente, em vez de diversificar, complicando, a função de um sentinela, forçando a reprogramação contínua daqueles sentinelas.
Este agente poderá prestar diversos tipos de serviços, tais como o envio de emails, de mensagens para telemóvel, uploads via ftp, logging de actividades, etc.
Uma mensagem, recebida de um sentinela, poderá dar origem em simultâneo ao envio de 3 mensagens de correio electrónico, 4 SMs e à actualização de uma tabela numa base de dados remota.
Estas actividades são da responsabilidade do agente de serviços. O sentinela limita-se a notificar um qualquer evento.
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